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Fiagros diversificam prazos de maturação ao avançar sobre culturas permanentes, segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM

Instrumento inicialmente concentrado em culturas de ciclo anual, como soja e milho, os Fiagros ampliam a atuação para lavouras de café, citros e silvicultura, cujo retorno financeiro se estende por vários anos após o investimento inicial

Os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais, os Fiagros, consolidaram-se inicialmente como instrumento voltado a culturas de ciclo curto, como soja, milho e algodão, cuja colheita e comercialização ocorrem dentro de um intervalo de poucos meses após o plantio. Mais recentemente, gestoras especializadas em crédito estruturado para o agronegócio passaram a estender essa estrutura de captação a culturas permanentes, como café, citros e silvicultura, cujo retorno financeiro se estende por vários anos, exigindo uma lógica de análise de risco distinta da aplicada a lavouras de ciclo anual.

Diferentemente de uma safra de grãos, que se converte em receita poucos meses após o plantio, uma lavoura de café ou um plantio de eucalipto destinado à indústria de celulose leva anos até atingir sua fase produtiva plena, período durante o qual o produtor rural precisa sustentar investimentos contínuos em manejo, sem contar ainda com receita relevante proveniente daquela cultura específica.

Prazo de maturação exige estruturas de crédito de mais longo prazo

Essa característica das culturas permanentes torna necessária a estruturação de fundos com horizonte de investimento mais estendido do que o praticado em operações lastreadas em culturas de ciclo anual, além de metodologias de análise de risco que considerem o estágio de maturação da lavoura no momento da estruturação da operação. Uma lavoura de café recém-plantada representa um perfil de risco distinto de uma lavoura já em plena produção, com histórico de colheitas anteriores capaz de servir como referência para a projeção de receita futura.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa diferença de maturidade entre lavouras exige um nível de especialização técnica adicional por parte do administrador fiduciário.

“Financiar uma cultura permanente é diferente de financiar uma safra anual, porque o produtor está comprometendo recursos hoje em troca de um retorno que só vai se materializar plenamente daqui a alguns anos. Um administrador fiduciário que atua nesse segmento precisa entender o estágio de maturação de cada lavoura financiada, para que o cronograma de pagamento da operação seja compatível com o momento em que aquela cultura efetivamente passa a gerar receita relevante”, afirma o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados ao agronegócio, o que inclui operações lastreadas em culturas permanentes financiadas por meio de Fiagros, aplicando a esses ativos processos de auditoria de lastro adaptados ao ciclo produtivo mais estendido característico desse tipo de cultura.

Diversificação de culturas reduz exposição a ciclos específicos

A entrada de culturas permanentes no universo dos Fiagros também contribui para diversificar a exposição de fundos multiculturas a diferentes ciclos de preço e de clima, uma vez que café, citros e silvicultura respondem a dinâmicas de mercado e a janelas de colheita distintas das observadas em grãos como soja e milho. Um fundo que combina culturas de ciclo anual e culturas permanentes em sua carteira tende a apresentar um fluxo de recebíveis mais distribuído ao longo do calendário agrícola do que uma estrutura concentrada em uma única cultura de colheita concentrada em poucos meses do ano.

Essa diversificação, no entanto, exige que gestores e administradores fiduciários desenvolvam expertise específica para cada cultura financiada, dado que fatores como pragas, condições climáticas regionais e ciclos de preço internacional variam de forma significativa entre diferentes tipos de lavoura. Culturas voltadas à exportação, como café e citros processados para suco concentrado, ainda somam a essa análise a exposição à variação cambial e às condições específicas de demanda dos mercados importadores.

Silvicultura soma particularidades de ciclo ainda mais longo

Entre as culturas permanentes que passaram a integrar carteiras de Fiagros, a silvicultura destinada à produção de celulose e madeira representa um caso particular, com ciclos de maturação que podem se estender por uma década ou mais, dependendo da espécie plantada e da finalidade do plantio. Fundos estruturados voltados a esse segmento costumam trabalhar com garantias adicionais vinculadas ao próprio valor da terra e ao estoque de madeira em pé, de forma a compensar o prazo consideravelmente mais longo até a efetiva colheita e comercialização da produção florestal.

Essa combinação entre um ativo biológico de crescimento lento e um mercado final relativamente concentrado, voltado principalmente à indústria de papel e celulose, exige do administrador fiduciário um acompanhamento técnico próximo da evolução do plantio ao longo dos anos, de forma a validar que o estoque de madeira declarado pelo produtor corresponde à realidade observada em campo.

 

Perspectivas para os Fiagros de culturas permanentes

Com a indústria de Fiagros ampliando sua atuação para além das culturas tradicionalmente associadas ao instrumento, a tendência é que operações lastreadas em culturas permanentes ganhem espaço crescente dentro do crédito estruturado voltado ao agronegócio brasileiro. Para administradores fiduciários especializados nesse segmento, desenvolver metodologias de análise adaptadas ao longo ciclo de maturação dessas lavouras deve seguir como um fator relevante para ampliar o alcance do crédito privado entre produtores rurais dedicados a culturas de retorno mais estendido. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais para atuar em administração fiduciária e custódia qualificada, a ID CTVM soma a esse segmento a experiência já consolidada em fundos voltados a diferentes cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.

Sobre a ID CTVM

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

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