Por que os estúdios de games estão apostando tudo em construir suas próprias franquias?
Richard Lucas da Silva Miranda, empresário do segmento de tecnologia, integra um ecossistema de profissionais que tem acompanhado uma mudança estrutural silenciosa na indústria: estúdios deixaram de pensar apenas em lançar jogos e passaram a pensar em construir propriedades intelectuais capazes de sobreviver ao próprio jogo que as originou. Em 2026, a pergunta que orienta decisões de investimento não é mais “qual será o próximo título”, mas “qual personagem, mundo ou narrativa pode se tornar um ativo de longo prazo”.
Essa virada tem explicação econômica direta. Lançar um jogo isolado, sem conexão com uma propriedade maior, tornou-se uma aposta de retorno cada vez mais incerto em um mercado saturado de lançamentos e dependente de algoritmos de descoberta que privilegiam marcas já reconhecidas. Construir uma IP própria, por outro lado, permite que um estúdio amortize risco ao longo de sequências, spin-offs, conteúdo licenciado e expansões para outras mídias, transformando um único universo criativo em múltiplas fontes de receita.
O resultado é que a criação de propriedade intelectual deixou de ser um subproduto criativo e passou a ocupar o centro do planejamento estratégico de publishers e estúdios independentes, redefinindo como o valor de uma empresa de games é calculado e percebido pelo mercado.
Como as franquias modernas transformam um jogo único em um universo expansível?
A diferença entre lançar um jogo e construir uma franquia está na intenção desde o primeiro dia de desenvolvimento. Estúdios que pensam em IP própria já desenham personagens, mitologia e mecânicas, considerando como esses elementos poderão ser reaproveitados em produtos futuros, sejam eles sequências, jogos derivados ou formatos fora do ambiente digital.
Esse planejamento antecipado muda decisões técnicas básicas, como a forma de documentar lore, a consistência visual de personagens e até a estrutura contratual com roteiristas e artistas, já que direitos de uso futuro precisam estar previstos desde o início. Conforme análise associada ao fundador da LT Studios, Richard Lucas da Silva Miranda, esse cuidado inicial é frequentemente o que separa uma IP capaz de se expandir de um jogo que termina sua vida útil na primeira janela de lançamento.
A consequência prática é a ascensão de estúdios que tratam cada título como um capítulo dentro de uma narrativa maior, em vez de um produto fechado em si mesmo, o que exige uma disciplina criativa e comercial bastante distinta da lógica tradicional de desenvolvimento orientado a um único lançamento.
Por que franquias de games estão se expandindo para filmes e séries de sucesso?
Um dos movimentos mais visíveis de 2026 é a velocidade com que franquias nascidas dentro dos games migram para séries, filmes, quadrinhos e produtos licenciados. Esse fenômeno, que já era percebido isoladamente em casos pontuais, tornou-se uma estratégia deliberada de estúdios que enxergam no transmedia uma forma de ampliar receita sem depender exclusivamente de novos lançamentos de jogos.
Na visão do empreendedor do setor de games, essa expansão multimídia funciona como validação de mercado: quando um universo de jogo consegue sustentar uma adaptação audiovisual relevante, isso sinaliza que a IP construiu engajamento emocional suficiente para atravessar formatos, algo que poucos produtos puramente derivativos conseguem replicar.
Esse movimento também redistribui poder de negociação. Estúdios com IPs fortes deixam de depender unicamente de publishers tradicionais para financiar produção, já que passam a negociar diretamente com estúdios de cinema, streamings e empresas de licenciamento, abrindo fontes de receita que não existiam quando o jogo era tratado como produto isolado, um deslocamento de poder que, conforme nota Richard Lucas da Silva Miranda, tende a se intensificar conforme mais franquias nascidas em games comprovam tração fora do ambiente digital.

Richard Lucas da Silva Miranda
O risco de depender de licenças de terceiros em vez de construir propriedade própria
Enquanto a construção de IP própria ganha força, outro padrão chama atenção pelo contraste: estúdios que seguem dependendo majoritariamente de licenças de terceiros para sustentar seu portfólio. Esse modelo, embora ainda lucrativo em alguns nichos, expõe empresas a riscos que se tornaram mais evidentes em 2026, como reajustes de royalties, perda de renovação de contrato e dependência da reputação de uma marca que não pertence ao estúdio.
Segundo a avaliação de Richard Lucas da Silva Miranda, a fragilidade desse modelo se manifesta especialmente em momentos de instabilidade econômica, quando detentores de licenças tendem a renegociar condições de forma mais agressiva, deixando estúdios licenciados em posição de desvantagem. Quem possui IP própria, em contraste, mantém controle total sobre decisões criativas, comerciais e de expansão.
Isso não significa que parcerias de licenciamento tenham perdido relevância, mas sim que estúdios mais maduros começaram a tratá-las como complemento, e não como espinha dorsal de seu modelo de negócio, reservando a maior parte do investimento de longo prazo para propriedades que possam controlar integralmente.
Como pequenos estúdios estão competindo com gigantes através de IPs nichadas?
Diferente do que se imaginava há alguns anos, a corrida por propriedade intelectual não é exclusividade de grandes corporações. Estúdios pequenos e médios têm encontrado espaço relevante construindo IPs voltadas a nichos específicos, com comunidades menores, mas extremamente engajadas, que sustentam franquias de forma sólida sem exigir o orçamento de um título AAA, um cenário acompanhado de perto por Richard Lucas da Silva Miranda.
Esse caminho tem se mostrado particularmente relevante para estúdios latino-americanos, que conseguem construir identidade própria sem competir diretamente pelo mesmo público massivo das grandes franquias internacionais, ocupando espaços culturais e temáticos ainda pouco explorados.
Essa estratégia de nicho também reduz a dependência de grandes investimentos de marketing, já que comunidades engajadas em torno de uma IP específica tendem a funcionar como canal de divulgação orgânica, sustentando o crescimento da franquia por meio de recomendação direta entre jogadores antes mesmo de campanhas pagas entrarem em cena.
O futuro da propriedade intelectual como moeda de valor na indústria de games
O cenário que se desenha para os próximos anos sugere que a posse de propriedade intelectual sólida se tornará um dos principais critérios de avaliação de estúdios, tanto para investidores quanto para parceiros de distribuição. Empresas com portfólio de IPs próprias terão maior capacidade de negociação, maior resiliência a flutuações de mercado e maior controle sobre sua própria trajetória de crescimento.
Na interpretação de Richard Lucas da Silva Miranda sobre movimentos observados no setor, essa transição reforça que a indústria de games está se aproximando, em lógica de valuation, de setores como entretenimento audiovisual e mídia, em que o valor de uma empresa está diretamente ligado à força e à longevidade de suas marcas, e não apenas ao desempenho de um produto isolado.
À medida que mais estúdios compreendem que um personagem bem construído pode valer mais do que o jogo que o originou, a criação de propriedade intelectual deixa de ser uma escolha criativa e se consolida como decisão estratégica central para quem pretende construir relevância duradoura no mercado de games.









