Elmar Varjão
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BIM na execução de obras: Como o modelo reduz retrabalho no canteiro?

Na visão de Elmar Varjão, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, empresa integrante do Grupo André Guimarães, o BIM ainda é tratado por muitas construtoras como ferramenta de desenho, quando seu maior valor aparece durante a execução. A Modelagem da Informação da Construção reúne, em um mesmo ambiente digital, geometria, especificações, quantitativos e etapas da obra. Bem utilizada, permite enxergar conflitos e custos antes que eles cheguem ao canteiro.

O tema ganhou peso também no setor público. A Lei 14.133/2021 estabelece que, nas licitações de obras e serviços de engenharia, o BIM deve ser adotado preferencialmente sempre que for adequado ao objeto. Antes disso, o Decreto 10.306/2020 já havia definido um cronograma de implantação gradual na administração federal. Com a exigência avançando, a pergunta deixou de ser se a tecnologia será usada e passou a ser como transformá-la em resultado.

Do modelo 3D à obra compatibilizada

Em um hospital ou em um fórum, uma única laje pode receber dutos de ar-condicionado, tubulações hidráulicas, eletrocalhas e sistemas de combate a incêndio. Quando cada disciplina é projetada separadamente, o encontro entre elas costuma acontecer no canteiro, com a equipe já mobilizada e o concreto já lançado. O resultado é furo em viga, desvio improvisado e retrabalho.

O modelo BIM permite antecipar esse encontro. Ao sobrepor arquitetura, estrutura e instalações, o software aponta as interferências antes da execução, em um processo conhecido como compatibilização. Como analisa Varjão, em obras especiais e de engenharia de alta complexidade, esse ganho é ainda mais sensível, porque o espaço técnico costuma ser limitado e qualquer alteração em campo repercute em várias frentes ao mesmo tempo.

Mais do que isso, a compatibilização feita no modelo cria um registro das decisões tomadas. Quando surge uma dúvida na obra, a equipe consulta a versão aprovada, e não uma prancha impressa semanas antes. Isso reduz ruídos entre projetistas, construtora e fiscalização, um ponto frequente de atrito em contratos de engenharia.

Planejamento e custo ligados ao mesmo modelo

A modelagem tridimensional é apenas a primeira camada. Quando o modelo é vinculado ao cronograma, a equipe consegue simular a sequência construtiva semana a semana, visualizando quando cada pavimento será concretado, onde o guindaste estará posicionado e em que momento as frentes de serviço vão se sobrepor. É nesse cenário que gargalos logísticos aparecem ainda no escritório.

Somado a isso, os quantitativos extraídos diretamente do modelo tendem a ser mais precisos do que levantamentos manuais, o que melhora o orçamento e a programação de compras. Conforme sustenta Elmar Varjão, essa integração entre planejamento, custo e execução é o que diferencia o uso estratégico do BIM de um uso apenas visual, em que o modelo serve para apresentações, mas não orienta decisões.

Em termos concretos, a simulação permite testar alternativas antes de assumir compromissos. A equipe pode comparar, por exemplo, se vale mais a pena antecipar a montagem de uma estrutura metálica ou reorganizar a sequência de concretagem para liberar acessos. Cada cenário é avaliado no modelo, com seus reflexos em prazo e custo, em vez de ser descoberto na prática, quando mudar de rumo já custa caro.

Onde a implantação costuma tropeçar?

Ao contrário do que se supõe, o principal obstáculo raramente é o software. Uma empresa pode comprar licenças, contratar modeladores e, ainda assim, continuar decidindo como antes. Se o engenheiro de campo não consulta o modelo, se o fornecedor recebe pranchas em papel e se as alterações feitas na obra não retornam ao arquivo, o BIM vira um projeto paralelo, caro e pouco útil.

A implantação exige mudanças na gestão de projetos, com padronização de processos, definição de quem alimenta e quem valida as informações e treinamento das equipes que estão no canteiro, não apenas no escritório. Na percepção de Elmar Varjão, a adoção bem-sucedida depende de liderança: alguém precisa estabelecer que o modelo é a referência oficial da obra e cobrar que todos trabalhem a partir dele.

Cabe acrescentar que a transição tem custo e curva de aprendizado. Os primeiros projetos tendem a consumir mais horas de coordenação, e o retorno aparece de forma mais clara com a repetição, quando bibliotecas, padrões e rotinas internas já estão consolidados.

Uma base de informação que continua depois da entrega

O valor do modelo não termina na entrega das chaves. O chamado “as built”, versão que registra como a obra foi efetivamente construída, permite que o proprietário saiba onde passa cada tubulação, quais equipamentos foram instalados e quando cada sistema precisa de manutenção. Para edifícios públicos, hospitais e instalações educacionais, essa informação reduz custos ao longo de décadas de operação.

Ao final dessa análise, percebe-se que a tecnologia aplicada à engenharia só se justifica quando melhora decisões. Como sintetiza Elmar Varjão, o BIM não substitui a experiência de quem conhece o canteiro, mas dá a essa experiência uma base de informação mais precisa e compartilhada. A obra que nasce bem modelada tende a ser executada com menos improviso e entregue com mais previsibilidade.

 

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