Ação em Ilhéus investiga organização suspeita de tráfico, homicídios e corrupção
A Polícia Civil da Bahia deflagrou, em 22 de setembro de 2026, a Operação Quatro Torres para investigar uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, homicídios, compra de armas e pagamento de vantagens indevidas. O principal núcleo da apuração está em Ilhéus, no sul do estado, onde, segundo as autoridades, quatro lideranças exerceriam influência sobre diferentes áreas do município.
A ação mobilizou mais de 200 policiais e teve como alvo cidades baianas e de outros estados. Na Bahia, foram cumpridos mandados em Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana, Serrinha, Luís Eduardo Magalhães, Porto Seguro, Salvador, Simões Filho e Vitória da Conquista. A operação também alcançou municípios de São Paulo, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro.
As informações foram divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia, que atualizou o registro da operação em 5 de outubro. A dimensão territorial da ofensiva indica que a investigação considera possíveis conexões entre a atuação atribuída ao grupo em Ilhéus e outros pontos usados para articulação ou suporte às atividades sob apuração.
Investigação tem Ilhéus como principal área de atuação
De acordo com a apuração oficial, a organização investigada teria uma estrutura dividida entre quatro lideranças, cada uma com influência sobre determinadas regiões de Ilhéus. O município, um dos principais centros urbanos e turísticos do sul da Bahia, aparece como ponto central das suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas e aos homicídios investigados.
A Polícia Civil também apura a suposta compra de armas e o pagamento de vantagens indevidas. Entre os investigados estão dois policiais militares, apontados como suspeitos de integrar o grupo e receber benefícios para favorecer a atuação criminosa. Um advogado também é alvo da investigação por suposta intermediação entre integrantes da organização e de pagamentos.
A menção a agentes públicos e a um profissional da advocacia amplia o alcance da apuração, que não se limita à eventual prática direta de crimes violentos. O caso também envolve a suspeita de apoio, facilitação ou intermediação de interesses do grupo, pontos que ainda dependem da análise das provas e do andamento dos procedimentos judiciais.
Bloqueio de bens chega a R$ 300 milhões
Além dos mandados, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de ativos financeiros de 31 pessoas físicas e 11 pessoas jurídicas. A medida pode alcançar até R$ 300 milhões e tem como objetivo impedir a movimentação ou a ocultação de recursos que, conforme a investigação, possam estar relacionados às atividades atribuídas à organização.
O bloqueio patrimonial alcança pessoas e empresas citadas no procedimento, mas não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal. A indisponibilidade de bens é uma medida judicial vinculada à investigação e poderá ser reavaliada conforme a produção de provas, as manifestações da defesa e as decisões tomadas ao longo do processo.
Da mesma forma, todas as pessoas mencionadas na operação são consideradas investigadas. Eventuais responsabilidades individuais ainda precisam ser estabelecidas pelas instâncias competentes, com respeito ao direito de defesa e ao devido processo legal. A divulgação das suspeitas não equivale a uma condenação.
Operação alcança diferentes regiões
O cumprimento de ordens em nove municípios baianos demonstra que a operação teve alcance além de Ilhéus. A presença de Feira de Santana, Salvador, Porto Seguro, Itabuna e Vitória da Conquista entre as cidades citadas também envolve áreas estratégicas de circulação e conexão dentro da Bahia, embora a fonte oficial não detalhe a função específica de cada endereço ou alvo.
Fora do estado, a ação chegou a cidades de São Paulo, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro. A participação de diferentes unidades da Federação reforça o caráter regional da investigação e a necessidade de atuação coordenada entre órgãos de segurança e Justiça. Ainda segundo a Secretaria da Segurança Pública, mais de 200 policiais foram mobilizados para executar as medidas determinadas.
Até a atualização oficial consultada, a Operação Quatro Torres permanece vinculada a uma investigação em andamento. Novas decisões judiciais, diligências e análises de documentos e recursos apreendidos, caso ocorram, poderão esclarecer a estrutura do grupo e o grau de participação atribuído a cada investigado. Por enquanto, os dados confirmados são os divulgados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia.








