Rolando Bonaccorsi
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Zonas de potência: O mapa que todo ciclista sério deveria entender antes de sair pedalando

Comprar um medidor de potência sem compreender o sistema de zonas que dá sentido a esses números é como reunir dados operacionais valiosos sem saber interpretá-los, um paralelo que Rolando Bonaccorsi, diretor de operações que também é ciclista de estrada, gosta de traçar ao explicar por que tantos ciclistas amadores investem em equipamento sofisticado sem extrair dele todo o valor disponível.

O sistema de zonas de potência, popularizado pela obra de Coggan e Allen, divide o esforço em faixas específicas calculadas a partir do FTP individual de cada ciclista, cada uma correspondendo a um estímulo fisiológico distinto e a um propósito específico dentro de um plano de treino bem estruturado.

Recuperação ativa e resistência: a base pouco valorizada

As zonas mais baixas de potência, associadas à recuperação ativa e resistência de base, costumam ser as mais negligenciadas por ciclistas amadores ansiosos por resultados rápidos, que preferem concentrar todo o tempo de treino em esforços intensos, ignorando que a base aeróbica construída nessas zonas mais leves sustenta a capacidade de absorver cargas mais intensas no futuro.

Na leitura de Rolando Bonaccorsi, essa impaciência com o treino de base reflete um padrão comum também em ambientes corporativos, em que investimentos estruturais de longo prazo, menos visíveis no curto prazo, frequentemente perdem espaço para iniciativas de resultado imediato, mesmo quando a base sólida é justamente o que sustenta ganhos futuros mais expressivos.

Limiar e VO2 máximo: onde a performance realmente evolui?

As zonas de limiar e VO2 máximo representam o território onde ganhos mensuráveis de performance costumam acontecer com mais consistência, exigindo esforços intensos e desconfortáveis, mas cuidadosamente dosados para não comprometer a capacidade de recuperação entre sessões de treino consecutivas.

Rolando Bonaccorsi alude que a diferença entre um ciclista que evolui de forma consistente e outro que estagna raramente está na quantidade total de treino intenso realizado, mas na precisão com que esse esforço é dosado dentro das zonas corretas, evitando tanto o excesso que gera fadiga acumulada quanto a insuficiência que não produz estímulo adaptativo relevante.

Zona anaeróbica e potência neuromuscular: o refinamento final

Esforços de altíssima intensidade e curta duração, característicos das zonas anaeróbica e neuromuscular, desenvolvem capacidades específicas raramente necessárias em treinos de base, mas decisivas em momentos pontuais de prova, como arrancadas, ultrapassagens em subidas curtas e disputas de chegada em grupo.

Como observa Rolando Bonaccorsi, negligenciar completamente essas zonas em nome de um foco exclusivo em resistência de base deixa o ciclista sem ferramentas para momentos decisivos de competição, ainda que essas zonas representem uma fração pequena do volume total de treino ao longo de qualquer temporada bem planejada.

Recalibração periódica: por que o mapa muda com o tempo

As zonas de potência calculadas a partir de um FTP desatualizado deixam de refletir a capacidade real do ciclista à medida que o condicionamento evolui, levando a treinos mal dosados que podem tanto subestimar quanto superestimar a intensidade real que o corpo está apto a sustentar naquele momento específico da temporada.

Sob a perspectiva de Rolando Bonaccorsi, retestar o FTP regularmente, a cada seis ou oito semanas durante períodos de treino intenso, é tão importante quanto qualquer sessão específica de treino, porque garante que todo o sistema de zonas continue refletindo a realidade fisiológica atual, e não uma fotografia desatualizada de meses atrás.

Entender o propósito específico de cada zona de potência transforma um número isolado em watts em uma ferramenta completa de planejamento, capaz de orientar decisões sobre quando intensificar, quando recuperar e quando refinar capacidades específicas exigidas por diferentes tipos de prova ou desafio pessoal.

No fim, ciclistas que dominam esse sistema de zonas e o atualizam com regularidade extraem de seus medidores de potência um valor muito superior ao de quem apenas observa o número atual sem compreender o contexto fisiológico que dá sentido a ele. O equipamento mais sofisticado, sem esse entendimento, permanece apenas parcialmente aproveitado.

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