Bahia constrói plano próprio de inteligência artificial com participação da sociedade civil
Governo do estado reúne universidades, setor produtivo e gestores públicos para definir diretrizes de uso da IA em áreas como educação, saúde e segurança pública
O governo da Bahia deu início à construção do Plano Baiano de Inteligência Artificial, uma iniciativa conduzida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com o Comitê Gestor do Governo Digital do estado. O processo reúne instituições de ciência e tecnologia, gestores públicos, representantes do setor produtivo e sociedade civil em uma série de encontros voltados à escuta ativa da população e de especialistas.
O objetivo é chegar a um documento estratégico que oriente o uso da inteligência artificial no estado nos próximos anos, com foco em áreas como educação, saúde, segurança pública, direitos humanos, inclusão, emprego, economia e pesquisa científica. Cada uma dessas frentes é discutida a partir de pilares que incluem legislação, regulação, uso ético e governança de dados.
IA já chega às salas de aula da rede pública
Enquanto o plano estadual segue em elaboração, outras iniciativas ligadas ao tema já estão em funcionamento na Bahia. Uma delas é a Rede Bah.IA, projeto voltado ao letramento em inteligência artificial dentro da educação básica da rede pública estadual. A iniciativa foi construída por pesquisadores de seis instituições baianas, em parceria com a Secti, e é coordenada pela pesquisadora da Universidade Federal da Bahia Tatiane Nogueira.
O material disponibilizado pela Rede Bah.IA está organizado em sete módulos e 27 aulas, cobrindo desde conceitos introdutórios sobre inteligência artificial e cultura digital até temas mais avançados, como aprendizado de máquina, ética, impacto social, processamento de linguagem natural e visão computacional. Todo o conteúdo é gratuito e pensado para ser incorporado à rotina pedagógica por professores da rede pública.
Diretrizes para o uso responsável da tecnologia
A Secretaria da Educação do estado também publicou um conjunto de diretrizes específicas para o uso da inteligência artificial nas escolas da rede estadual. O documento orienta gestores, coordenadores pedagógicos, professores e estudantes sobre como utilizar essas ferramentas como apoio à aprendizagem e ao planejamento pedagógico, sem substituir o papel do professor na condução do ensino.
As diretrizes se apoiam em princípios como a centralidade no ser humano, a proteção integral de crianças e adolescentes e o uso responsável de dados, em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA Digital e a Lei Geral de Proteção de Dados. A expectativa da Secretaria da Educação é que o marco normativo sirva de referência para escolas públicas e privadas do estado que ainda buscam formas seguras de integrar a inteligência artificial ao dia a dia escolar.
Juntas, essas ações colocam a Bahia entre os estados que têm avançado de forma mais estruturada na regulação e no uso pedagógico da inteligência artificial, num momento em que o tema ganha espaço tanto no debate público quanto nas políticas educacionais em todo o país.
Fontes consultadas:
- Governo da Bahia (Secti): https://www.ba.gov.br/secti/noticias/2026-04/2914/bahia-inicia-construcao-do-plano-baiano-de-inteligencia-artificial-com-escuta
- Governo da Bahia (Secom): https://www.ba.gov.br/comunicacao/noticias/2026-04/380472/audio-rede-bahia-leva-letramento-em-inteligencia-artificial-para-salas-de
- Governo da Bahia (Secretaria da Educação): https://www.ba.gov.br/educacao/noticias/2026-02/3009/sec-estabelece-diretrizes-para-uso-da-inteligencia-artificial-em-sala-de-aula









