Daugliesi Giacomasi Souza
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Como o designer de interiores transforma a percepção de espaços pequenos?

Em um mercado cada vez mais atento à otimização de ambientes urbanos, o designer de interiores ganha papel central na forma como apartamentos compactos e casas com metragem reduzida são percebidos por quem os habita. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha de perto projetos em que a sensação de amplitude depende muito mais de decisões técnicas de layout, iluminação e paleta de cores do que do tamanho real do espaço disponível.

O que define a percepção de amplitude em um ambiente?

A percepção de amplitude resulta da combinação entre circulação livre, distribuição de massa visual e direcionamento da luz natural ao longo do dia. Conforme explica Daugliesi Giacomasi Souza, ambientes pequenos costumam sofrer mais com a desorganização de fluxo do que com a quantidade de móveis propriamente dita, já que obstáculos posicionados nos caminhos naturais de circulação reduzem drasticamente a sensação de espaço disponível, mesmo quando a área útil é tecnicamente suficiente para as atividades cotidianas.

A escolha de mobiliário com pernas aparentes, por exemplo, permite que o olhar atravesse o ambiente sem interrupções visuais bruscas, contribuindo para uma leitura espacial mais contínua. Espelhos posicionados estrategicamente, por sua vez, multiplicam a entrada de luz e criam profundidade adicional, recurso especialmente útil em corredores estreitos e salas com pé-direito baixo.

Qual o papel da paleta de cores em projetos compactos?

Cores claras refletem maior quantidade de luz e tendem a ampliar visualmente os limites de um cômodo, mas a escolha cromática vai além de uma regra simplista de tons claros versus tons escuros. Daugliesi Giacomasi Souza destaca que a continuidade cromática entre ambientes integrados, evitando contrastes abruptos entre cômodos contíguos, reforça a sensação de fluidez espacial mesmo em projetos com paredes divisórias remanescentes.

Paletas neutras, combinadas com pontos de cor concentrados em elementos específicos, como almofadas, quadros ou um único móvel de destaque, permitem personalidade sem comprometer a leitura ampla do ambiente. Pondera-se, dentro da prática projetual, que o erro mais comum em reformas de pequenos espaços está justamente no excesso de informação visual distribuída de forma uniforme, sem hierarquia entre elementos principais e secundários.

Como a arquitetura e o design de interiores se complementam nesse processo?

Embora frequentemente tratados como disciplinas separadas, arquitetura e design de interiores trabalham de forma integrada quando o objetivo envolve transformação real de percepção espacial. Decisões estruturais, como remoção de paredes não portantes ou reposicionamento de aberturas, criam a base sobre a qual o projeto de interiores constrói sua narrativa estética e funcional. Sem esse alinhamento entre as duas frentes, soluções decorativas tendem a mascarar problemas estruturais em vez de resolvê-los de fato.

Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza

Daugliesi Giacomasi Souza pontua que projetos bem-sucedidos em espaços compactos normalmente nascem de um diagnóstico conjunto entre arquitetura e decoração, realizado antes da definição de acabamentos e mobiliário, evitando retrabalho e garantindo coerência entre a estrutura física do imóvel e a experiência sensorial proposta pelo projeto.

Quais erros mais comprometem projetos de ambientes reduzidos?

Entre os equívocos mais recorrentes está a tentativa de reproduzir, em escala menor, soluções pensadas originalmente para espaços amplos, sem considerar que proporção e escala exigem ajustes específicos. Móveis multifuncionais, sob medida, costumam resolver parte desse desafio, mas demandam planejamento detalhado de medidas e uso cotidiano do espaço, sob risco de gerar soluções engessadas que não acompanham mudanças de rotina da família ao longo do tempo.

A iluminação artificial mal planejada representa outro problema frequente, já que pontos de luz únicos e centralizados tendem a achatar a percepção espacial, enquanto a combinação entre luz geral, focal e de destaque cria camadas visuais que valorizam volumes e texturas mesmo em metragens reduzidas.

Como o uso de texturas influencia a leitura de um ambiente compacto?

Texturas naturais, como madeira, linho e fibras vegetais, introduzem profundidade tátil sem depender de aumento de cor ou padronagem, recurso particularmente útil em projetos que buscam manter a sobriedade visual exigida por espaços reduzidos. Daugliesi Giacomasi Souza examina que a combinação entre superfícies foscas e brilhantes, distribuída de forma equilibrada entre piso, parede e mobiliário, evita a monotonia que costuma surgir quando um único acabamento domina todo o ambiente.

A repetição controlada de materiais entre cômodos integrados também contribui para a sensação de continuidade espacial, especialmente em projetos que conectam sala, cozinha e área de jantar em um único volume aberto. Quando cada ambiente recebe um material completamente distinto, sem qualquer elemento de transição, o espaço tende a parecer fragmentado, mesmo que a área total disponível seja generosa para os padrões da região onde o imóvel está localizado. A escolha de revestimentos com veios e padronagens discretas, em vez de estampas muito marcadas, costuma favorecer ambientes pequenos justamente por não competir visualmente com os volumes do próprio mobiliário, mantendo o equilíbrio entre textura e amplitude percebida ao longo de toda a circulação do imóvel.

Quem deseja repensar a forma como aproveita cada metro quadrado disponível em casa pode acompanhar mais conteúdos sobre o tema no Instagram @dgdecor.construir, em que projetos reais ilustram, na prática, os conceitos aqui discutidos!

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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