Segurança radiológica: Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues explica o uso responsável da radiação em exames preventivos
O uso da radiação em medicina diagnóstica salva vidas, mas exige responsabilidade técnica e critério clínico em cada indicação. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, ex-secretário de Saúde e médico radiologista, alerta que o crescimento da cultura preventiva no Brasil trouxe consigo um aumento expressivo na realização de exames por imagem, nem sempre justificado do ponto de vista clínico.
Este artigo discute os fundamentos da segurança radiológica, os riscos do uso indiscriminado da radiação ionizante, os critérios que orientam a indicação responsável de exames e o que o paciente pode fazer para proteger sua saúde ao longo do tempo.
Por que a segurança radiológica é um tema urgente na medicina preventiva?
A popularização dos check-ups anuais e a facilidade de acesso a exames de imagem criaram um cenário em que a tomografia, a radiografia e outros métodos com radiação ionizante passaram a ser solicitados com frequência crescente, muitas vezes sem indicação precisa.
A exposição acumulada à radiação ionizante ao longo da vida tem potencial carcinogênico comprovado, especialmente em doses repetidas e desnecessárias. Por isso, a segurança radiológica deixou de ser uma preocupação exclusiva dos ambientes hospitalares e passou a ser um tema de saúde pública relevante, que envolve médicos, pacientes e gestores de sistemas de saúde.
Quais são os riscos do uso indiscriminado de exames com radiação ionizante?
O principal risco associado ao uso excessivo de exames radiológicos é o efeito estocástico da radiação, ou seja, o aumento probabilístico do risco de desenvolvimento de neoplasias ao longo dos anos. Diferentemente dos efeitos determinísticos, que ocorrem acima de doses específicas, os efeitos estocásticos não têm limiar definido e dependem do acúmulo de exposição ao longo da vida do paciente.
O Dr. Vinicius Rodrigues destaca que o problema não está no exame em si, mas na ausência de critério clínico na sua indicação. Uma tomografia de tórax realizada sem justificativa adequada pode expor o paciente a uma dose equivalente a centenas de radiografias convencionais, sem oferecer nenhum benefício diagnóstico que justifique esse risco.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Como o médico deve orientar a indicação de exames preventivos com radiação?
A indicação de qualquer exame com radiação ionizante deve seguir o princípio da justificativa, que estabelece que o benefício esperado precisa superar claramente o risco potencial da exposição. Esse princípio, consagrado pelas diretrizes internacionais de proteção radiológica, deveria nortear toda solicitação médica nesse campo.
Para Vinicius Rodrigues, a conversa entre médico e paciente sobre os reais objetivos do exame é insubstituível. Alternativas sem radiação ionizante, como a ressonância magnética e a ultrassonografia, devem ser consideradas sempre que oferecerem informação diagnóstica equivalente, especialmente em pacientes jovens, mulheres em idade fértil e crianças.
O que o paciente pode fazer para proteger sua saúde radiológica?
A participação ativa do paciente na gestão da sua exposição à radiação é uma prática ainda pouco difundida no Brasil, mas de grande impacto preventivo. Manter um registro pessoal dos exames realizados ao longo da vida, incluindo datas, tipos de exame e doses quando disponíveis, permite que o médico faça uma avaliação mais precisa do histórico de exposição antes de solicitar novos procedimentos.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues recomenda que o paciente questione, sempre que necessário, a real necessidade do exame solicitado e se existe alguma alternativa sem radiação que atenda ao mesmo objetivo clínico. Essa postura não representa desconfiança, mas co-responsabilidade no cuidado com a própria saúde.
De que forma os serviços de radiologia podem contribuir para um uso mais seguro?
Serviços de radiologia bem estruturados têm papel central na promoção da segurança radiológica. A adoção de protocolos otimizados de dose, a atualização constante dos equipamentos e a capacitação das equipes técnicas são medidas que reduzem significativamente a exposição dos pacientes sem comprometer a qualidade diagnóstica dos exames.
O Dr. Vinicius Rodrigues reforça que a cultura de segurança radiológica precisa ser construída de forma sistêmica, envolvendo desde a formação dos profissionais de saúde até a regulação dos serviços pelo poder público. Quando bem aplicada, a radiação é uma ferramenta diagnóstica poderosa. Quando usada sem critério, torna-se um risco invisível que se acumula silenciosamente ao longo dos anos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez









